Uma diplomacia em frangalhos: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu um revés significativo após a não obtenção de retorno do governo de Donald Trump para uma reunião bilateral que estava prevista para este mês de março.
“O Itamaraty propôs diversas datas aos Estados Unidos, mas Washington não apresentou sequer uma contraproposta, deixando a diplomacia brasileira no vácuo”, disse Edlene Lopes, correspondente da CNN Brasil.
O governo Lula buscou discutir o fim do “tarifaço” imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros, uma barreira que tem sufocado setores da economia nacional. “O Brasil chegou a propor algumas datas, os Estados Unidos não deram retorno e nem fizeram uma contraproposta”, relatou Edlene Lopes em 30 de março de 2026.
Com o conflito escalado no Oriente Médio entre EUA e Irã como prioridade, a Casa Branca coloca o governo Lula em último plano na agenda global.
Diante do silêncio de Washington, Lula preparou uma agenda na Europa para o mês de abril, buscando focar em acordos com líderes de esquerda e centro-esquerda. O presidente deve desembarcar na Espanha entre os dias 17 e 18 para se reunir com Pedro Sánchez.
“O objetivo é discutir o acordo Mercosul-União Europeia e participar de um evento ‘em defesa da democracia’, termo frequentemente utilizado pela esquerda para sinalizar alinhamento ideológico contra movimentos conservadores globais”, disse uma fonte próxima ao governo Lula.
Lula ainda planeja participar da Feira de Hannover, a maior feira de tecnologia industrial do mundo, na Alemanha, onde tentará atrair investimentos.
“No entanto, analistas apontam que a ausência de um diálogo com a maior potência do mundo, os EUA, enfraquece a posição do Brasil nas mesas de negociação europeias, onde a influência de Trump é um fator de pressão constante”, afirmou um analista especializado em diplomacia internacional.
A postura do governo Lula de tentar se equilibrar entre o apoio a regimes autoritários e a busca por benefícios comerciais com os EUA tem cobrado seu preço. Enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro mantinha um canal direto de respeito e admiração com Donald Trump, a atual gestão é vista com desconfiança pela Casa Branca.
“A defesa da ‘multipolaridade’ por parte do Itamaraty parece ter resultado em um isolamento prático, onde o Brasil é ignorado nas decisões de alta relevância geopolítica e econômica”, disse o analista.
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