Na manhã desta quinta-feira (14), uma criança de apenas oito anos sofreu um ataque de onça-parda na Fazenda Volta da Serra, localizada na Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás. O animal mordeu a face da vítima, que estava acompanhada dos pais e de um guia. A equipe conseguiu afastar a onça, mas a criança precisou de atendimento emergencial.
O ataque ocorreu durante uma visita monitorada, evidenciando os riscos da interação humana com animais silvestres em áreas naturais.
A vítima recebeu os primeiros socorros em Alto Paraíso de Goiás e, em seguida, foi transferida para o Hospital de Base, em Brasília, para tratamento especializado.
O Santuário Volta da Serra, responsável pela fazenda, informou que está acompanhando o caso e anunciou o reforço nos protocolos de segurança, sinalização e orientação aos visitantes.
A bióloga Elisângela Sombreira, com quase 30 anos de experiência no estudo e cuidado de animais silvestres, destacou que a aproximação de onças de áreas humanas está diretamente ligada à redução de suas presas naturais, como a capivara e o queixada. “A gente quase não vê mais capivara, queixadas, catetos, cervídeos, que são a base de alimentação, especialmente por conta da caça, muitas vezes ilegal”, explicou em entrevista ao Portal 6.
A queda nas populações desses animais, essenciais para a dieta das onças, tem forçado os felinos a buscarem alternativas próximas a comunidades. Além disso, mesmo com a redução do desmatamento no Cerrado nos últimos anos, o bioma já perdeu quase 30% de sua vegetação original, o que agrava o desequilíbrio ecológico.
A especialista reforçou que ataques a humanos são raros, mas podem ocorrer se a onça se sentir acuada, possuir uma presa ou proteger seus filhotes. “Isso muda se ela se sentir acuada, se estiver com uma presa, com os filhotes especialmente”, alertou.
Em caso de encontro com uma onça, Elisângela orientou seguir protocolos específicos: nunca correr, manter contato visual, falar com firmeza e recuar lentamente. “Nunca, em hipótese alguma, virar as costas e correr. Se o bicho não ia atacar, agora ele com certeza vai”, afirmou.
Para trilhas, a bióloga recomendou o uso de bengalas ou galhos para manter distância em situações de risco. Em grupos com crianças, elas devem caminhar no meio da fila e serem carregadas ao colo se um predador aparecer, pois seriam confundidas com filhotes.
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