Nas zonas rurais de Goianésia, Barro Alto, Ceres, Jaraguá e outros municípios do Vale do São Patrício, o zumbido dos drones de pulverização já não é mais surpresa. Tabelas gigantes acopladas a tratores de última geração, sensores de solo e estações meteorológicas automatizadas monitoram lavouras metro a metro, em tempo real. Essa revolução digital no campo não é apenas visual: é um salto de produtividade indispensável para manter a competitividade do agro goiano frente a outros estados.
No entanto, o acesso a esse ecossistema de alta tecnologia esbarra em um desafio histórico: o alto custo de aquisição. Equipar uma propriedade com o que há de mais moderno exige investimentos robustos, muitas vezes distantes da realidade do produtor rural de médio e pequeno porte. É nesse cenário que o cooperativismo de crédito surge como o motor dessa modernização, financiando a transição tecnológica da nova geração do agronegócio goiano.
Segundo Cristieny Paiva, diretora de desenvolvimento da Central Sicredi Brasil Central, o crédito cooperativo tem apoiado desde sistemas tradicionais até soluções que transformam a gestão das propriedades. Em entrevista, ela destacou os principais investimentos financiados nos últimos anos: sistemas de irrigação de alta eficiência, pivôs centrais automatizados, painéis solares, máquinas com agricultura de precisão, além de drones para monitoramento de lavouras, sensores de solo e softwares de gestão rural.
Diferente do modelo bancário tradicional, o cooperativismo oferece uma abordagem personalizada, com linhas de crédito que utilizam recursos do BNDES, Fundos Constitucionais, Finep e FDCO. As taxas de juros atrativas e prazos de carência sob medida têm sido cruciais para que o produtor rural goiano dê um passo importante rumo à digitalização sem comprometer a saúde financeira do negócio.
Pesquisas de mercado comprovam que o agronegócio vive uma trajetória de amadurecimento tecnológico linear e consistente. De acordo com o Índice de Transformação Digital Brasil (ITDBr) 2025, desenvolvido pela PwC Brasil em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), a maturidade digital do agro subiu de 3,0 em 2023 para 3,6 em 2025, em uma escala de 0 a 6. O destaque fica por conta da dimensão Decisões Baseadas em Dados (nota 4,0), que demonstra como o produtor tem usado dados meteorológicos, de telemetria e de sensores de solo para planejar o manejo.
A telemetria, por exemplo, permite o monitoramento remoto de frotas e o acompanhamento do consumo de combustível e da eficiência das máquinas em tempo real. Softwares baseados em Inteligência Artificial também ajudam a prever o clima e identificar pragas precocemente, reduzindo o desperdício de defensivos agrícolas e otimizando o uso da água. No entanto, o estudo alerta para um paradoxo: o agro ainda enfrenta barreiras para adotar inovações disruptivas, registrando apenas 1,8 na dimensão de Fronteira Tecnológica.
Um dos mitos mais comuns é de que a transformação digital se restringe às grandes propriedades. Petherson Santana, consultor agro da Central Sicredi Brasil Central, contesta essa visão e afirma que a inovação está cada vez mais democratizada. Segundo ele, tecnologias modulares e escaláveis permitem que o pequeno produtor inicie a transição digital com aportes menores, expandindo a estrutura tecnológica de forma sustentável à medida que os resultados aparecem.
O especialista prevê um avanço massivo da automação de processos, agricultura regenerativa e internet das coisas (IoT) nos próximos cinco a dez anos. Para ele, o agro goiano continuará sendo um dos principais protagonistas do desenvolvimento econômico brasileiro, impulsionado pela combinação entre tecnologia, sustentabilidade e gestão eficiente.
Elienai News – Compromisso com a verdade!
💬 Deixe seu comentário sobre esta matériaQuer receber as notícias mais recentes de Goianésia e região diretamente no seu celular? Então junte-se aos grupos de WhatsApp da Central de Notícias Elienai News!



