Um ex-policial civil de 66 anos, resgatado em estado caquético e com ferimentos graves, morreu na madrugada de domingo (26) no Hospital Santa Maria, em Goiânia. Mateus Felix dos Santos, filho adotivo da vítima, é suspeito de maus-tratos e permanece preso preventivamente, conforme a Polícia Civil (PC). O caso poderá ter a pena agravada com a morte do idoso, segundo o delegado responsável.
O idoso foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros no dia 13 de julho, apresentando desnutrição extrema e sepsis decorrente de escaras — feridas na pele causadas por pressão prolongada. De acordo com o delegado Wladimir Freire, as lesões infeccionadas e a falta de cuidados médicos caracterizam os maus-tratos. “A infecção causada pelas escaras ocorre porque ninguém movimentava, ninguém fazia a higiene desse idoso. Isso, por si só, caracteriza os maus-tratos”, afirmou.
Durante a investigação, a PC também identificou indícios de que Mateus se apropriava dos proventos do idoso, o que levou à inclusão de apropriação indébita no inquérito. O caso foi encaminhado ao Ministério Público de Goiás (MP-GO), que poderá aditar a denúncia para incluir resultado morte, agravando a penalidade. O delegado destacou que o Judiciário também poderá analisar se o caso será enquadrado como homicídio, dada a gravidade das condições do idoso.
O resgate ocorreu após irmãs da vítima denunciarem o estado deplorável em que ele se encontrava. Segundo o boletim de ocorrência, os familiares tinham acesso à casa, mas só conseguiam ver o idoso através de uma janela. Ao ser levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Novo Mundo, o médico acionou a Polícia Militar, que prendeu Mateus em flagrante. “O filho disse que já convive com esse idoso e vem tomando conta dele há mais de 10 anos”, declarou o delegado Eduardo Carrara.
Em depoimento, Mateus afirmou que considerava o idoso como pai e que este, por vontade própria, havia interrompido o tratamento médico. No entanto, o delegado Wladimir Freire esclareceu que as comorbidades do idoso foram agravadas pela falta de cuidados, incluindo a ausência de higiene e movimentação, fatores que contribuíram diretamente para a morte.
O suspeito deve passar por audiência de custódia nesta terça-feira (14), e a PC já havia solicitado sua prisão preventiva. O inquérito foi concluído dentro do prazo legal e encaminhado ao MP-GO, que analisará o aditamento da denúncia.
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