Em setembro de 1987, a cidade de Goiânia foi palco de um dos maiores desastres radiológicos fora de usinas nucleares já registrados. O acidente começou quando dois catadores, Roberto dos Santos Alves e Wagner Mota Pereira, encontraram uma cápsula metálica pesada contendo 19,26 gramas de material radioativo em uma clínica desativada. Ao manusearem o objeto, iniciaram uma cadeia de contaminação que mudou suas vidas, a de suas famílias e a de toda a cidade.
A cápsula foi levada para casa e aberta, e dias depois, foi vendida a Devair Alves Ferreira, proprietário de um ferro-velho. Ele percebeu o brilho azul intenso que saía da cápsula e decidiu levá-la para dentro de casa. O material foi manipulado e compartilhado entre familiares e conhecidos, sem qualquer informação sobre o perigo. Fragmentos da substância circularam entre diferentes pessoas e bairros, e parte do pó radioativo foi levada por Ivo Alves Ferreira, irmão de Devair, para casa, enrolada em um pedaço de papel.
A filha de Ivo, Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, manuseou o material e ingeriu partículas ao se alimentar. A menina se tornou a principal vítima simbólica da tragédia. Nos dias seguintes, os primeiros sintomas começaram a surgir: náuseas, vômitos, tontura e queimaduras na pele. Sem associação com radiação, muitos acreditaram se tratar de uma infecção alimentar, o que atrasou o diagnóstico correto.
Quatro pessoas morreram em decorrência direta da exposição aguda à radiação, e outras mortes ocorreram anos depois entre pessoas diretamente ligadas ao episódio. Cerca de 112 mil pessoas passaram por triagem para verificar possível contaminação, e 249 tiveram níveis confirmados de exposição interna ou externa ao material radioativo.
As vítimas foram classificadas conforme o grau de contato, e muitos desenvolveram a Síndrome Aguda da Radiação, com infecções generalizadas, lesões na pele e comprometimento da medula óssea. Além das consequências físicas, o acidente deixou impactos sociais duradouros. Vítimas enfrentaram preconceito, dificuldades para retomar a rotina e disputas judiciais por indenização.
A Associação de Vítimas do Césio-137 afirma que aqueles impactados pelo acidente radiológico recebiam auxílio de R$ 954 mensais em 2025, valor tido como insuficiente. O desastre também gerou cerca de seis mil toneladas de rejeitos radioativos, que foram recolhidos e transferidos para um depósito controlado em Abadia de Goiás.
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