Gerson Brenner estava no auge de sua carreira quando um crime brutal interrompeu sua vida. Na madrugada de 17 de agosto de 1998, o ator de 38 anos dirigia seu carro de São Paulo para o Rio quando foi abordado por bandidos na Rodovia Ayrton Senna. Apesar de ter sido baleado na testa, Brenner foi socorrido por caminhoneiros e chegou à Santa Casa de Jacareí em coma e com paralisia do lado direito do corpo.
Os médicos constataram que a bala havia atravessado todo o lado esquerdo do cérebro de Brenner e foi removida no Hospital Albert Einstein. A vida do ator estava salva, mas o crime deixou sequelas permanentes, incluindo dificuldades de fala, perda de cognição e motricidade. Brenner passou a conviver com grandes limitações para se locomover, falar e até para se alimentar.
Apesar das dificuldades, Brenner contava com o apoio de sua mulher, Marta Mendonça, que era uma das profissionais que o tratava logo após o crime. Com o tempo, os dois se envolveram e se casaram em 1999. Brenner também era pai de Ana Haas, fruto de seu primeiro casamento, e de Vitória Brenner, filha de seu segundo matrimônio.
Os bandidos que arruinaram a vida de Brenner foram presos quatro dias após o crime. Eram três, com idades de 19 a 25 anos, que colocaram pedras na estrada e aguardaram uma vítima. O ator reagiu quando foi abordado pelo ladrão, mas foi atingido por um tiro de pistola .380.
“A gente fugiu assustado, o cara era muito grande”, contou um assaltante. O grupo, que não reconhecera Brenner, foi embora deixando no banco do carro uma pasta com R$ 2 mil em dinheiro, três relógios de ouro, três cheques de R$ 4 mil e joias.
Segundo a então mulher de Brenner, Denise Tacto, o ator estava acostumado a viajar de carro durante a madrugada para evitar o tráfego de caminhões. Ele vinha acumulando muita quilometragem atrás do volante, participando de eventos no interior do país mediante cachê.
“O Gérson ultimamente só trabalhava, animando rodeios e apresentando festas. Ele não dormia, não comia. Apenas trabalhava. Agora mesmo, Gérson ia começar uma série de comerciais, quando acabasse a gravação da novela”, disse Denise, em entrevista ao GLOBO horas depois do crime na estrada.
Brenner deveria estar no Projac para gravar a cena final de “Corpo Dourado” no dia seguinte ao crime. A sequência reuniria todo o elenco da novela na pracinha cenográfica da fictícia Marimbá, onde se passa a trama. Os personagens apareceriam felizes, com seus rebentos e pares românticos. Jorginho estaria ao lado de Alicinha (Danielle Winnits), grávida de trigêmeos pela segunda vez e com as suas três filhas nascidas antes.
Mas o crime contra o ator mudou tudo. Na última cena, estavam só os personagens Chico (Humberto Martins), Selena (Cristiana Oliveira) e o filho do casal. Os colegas de set se disseram consternados e esperavam que o artista se recuperasse logo para voltar ao trabalho.
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