Minas Gerais prepara-se para uma safra histórica de café em 2026, com projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) de 32,4 milhões de sacas. Este volume representa um crescimento de 25,9% em relação ao ano anterior e consolidaria o estado como o maior produtor nacional, atingindo quase metade da produção de café arábica do Brasil. O avanço é atribuído à bienalidade positiva das lavouras, chuvas favoráveis e a expansão das áreas de cultivo.
Apesar do cenário promissor, desafios globais e internos podem impactar o setor. Conflitos no Oriente Médio elevam os custos de logística e insumos, enquanto o chamado custo Brasil – com juros altos, legislação trabalhista defasada e infraestrutura precária – pressiona os cafeicultores. “Nossa expectativa é sempre positiva. Em 2026, a tendência é de termos uma safra maior”, afirma Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupé, a maior cooperativa de cafeicultores do país.
No panorama nacional, São Paulo ocupa o terceiro lugar com projeção de 5,5 milhões de sacas de café, predominantemente arábica. O Espírito Santo surge em segundo, com 19 milhões de sacas, majoritariamente do tipo Conilon.
A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais detalha que a produção mineira se concentra nas regiões tradicionais. O sul e centro-oeste do estado devem contribuir com cerca de 12 milhões de sacas, enquanto a Zona da Mata, Rio Doce e a região central somam aproximadamente 9,7 milhões de sacas.
Entre os desafios destacados pelo presidente da cooperativa, o mercado internacional e os aspectos geopolíticos ganham relevância. O aumento da produção mineira deve impulsionar as exportações, mas o desempenho dependerá da oferta global, especialmente de países concorrentes como Vietnã e Colômbia.
“Pensando internacionalmente, existe impacto no preço do petróleo que, sem dúvida nenhuma afeta. Nós estamos entrando numa safra e durante a safra há um aumento no consumo de combustível. Então impacta bastante no custo de produção, de colheita e pós-colheita”, explica Osvaldo Bachião Filho, vice-presidente da Cooxupé.
Um boletim da corretora de café Carvalhaes corrobora que os conflitos no Oriente Médio pressionam as rotas marítimas, elevando custos logísticos e afetando o mercado global. Esses mesmos conflitos também encarecem insumos essenciais como fertilizantes e combustíveis.
A Cooxupé, que em 2025 destinou 4,8 milhões de sacas para exportação, projeta uma retração para este ano, com volume previsto de 4,4 milhões, uma queda de 8,33%.
“Nunca tivemos tão pouco estoque de café de cooperados, com índices próximos a zero, o que dificulta uma perspectiva mais positiva no que se refere à exportação. Por isso estamos sendo comedidos. Eu acredito que o ano de 2026 vai ser mais difícil que 2025, também pelas incertezas geopolíticas”, ressalta Carlos Augusto Rodrigues de Melo.
O vice-presidente da cooperativa, Osvaldo Bachião Filho, reforça a preocupação com a manutenção do mercado externo, que se mostra enfraquecido neste cenário. Ele enfatiza a necessidade de cuidar dos clientes que o Brasil conquistou.
“O que a gente está procurando é manter para os nossos clientes um bom relacionamento, que atenda prazo e qualidade. A gente precisa cuidar muito bem desses clientes que o Brasil conquistou ao longo das últimas duas décadas, para não jogar fora um mercado que foi muito difícil de conquistar. Os números mostram, nesses últimos seis meses, um crescimento muito grande dos arábicos das outras origens, em relação aos arábicos brasileiros, e isso não é bom para o Brasil”, comenta Osvaldo Bachião Filho.
Osvaldo Bachião Filho também pontua que a política interna precisa de melhorias, pois o “custo país” afeta tanto produtores quanto consumidores. Ele descreve o Brasil como um “país inchado”, com altas taxas de juros e logística interna cara e ineficiente, que tende a piorar com as crises globais.
Outro ponto que afeta a cadeia produtiva é a insegurança jurídica. Osvaldo Bachião Filho aponta a legislação trabalhista rural, datada de 1973, como “completamente inadequada” para a realidade atual do campo, que hoje utiliza tratores e outras tecnologias. Ele defende a necessidade de reformar essa legislação para trazer segurança jurídica aos produtores.
Em 2025, o faturamento da Cooxupé atingiu R$ 16,99 bilhões, gerando R$ 470,3 milhões em resultados e distribuindo R$ 185,6 milhões em sobras para as famílias cooperadas. A base de seus cooperados é majoritariamente composta pela agricultura familiar.
Dados de recebimento de café de 2025 revelam que 97,6% dos cooperados são mini e pequenos produtores, enquanto os médios, grandes e megas representam 2,4% desse universo.
Em Minas Gerais, o governo estadual tem intensificado o apoio ao setor. A Secretaria da Agricultura informou que, para a safra 2025/2026, foram disponibilizados cerca de R$ 2 bilhões em crédito através do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), com recursos do Plano Safra e do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira).
Há também investimentos em pesquisa e inovação, com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) atuando no desenvolvimento de novas cultivares. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do estado (Emater-MG) reforça a assistência técnica, e o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) trabalha na certificação e defesa sanitária da produção.
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