Autoridades sanitárias da Argentina e especialistas de saúde pública estão empenhadas em descobrir se o país é a origem de um surtos mortal de hantavírus que atingiu passageiros de um cruzeiro no Atlântico. A emergência ocorre enquanto o país registra um aumento alarmante nos casos da doença, um fenômeno que pesquisadores atribuem, em grande parte, aos impactos das mudanças climáticas no ecossistema.
A Argentina é constantemente apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o país com maior incidência de hantavírus na América Latina. Segundo a entidade, temperaturas mais altas e a degradação ambiental estão ampliando a área de circulação do vírus, transmitido principalmente por roedores. As pessoas contraem a doença ao inalar partículas contaminadas com fezes, urina ou saliva dos animais.
O Ministério da Saúde argentino registrou 101 infecções por hantavírus desde junho de 2025, quase o dobro do mesmo período do ano anterior. Entre os casos, destaca-se a cepa vírus Andes, capaz de causar a síndrome pulmonar por hantavírus, uma doença grave e frequentemente fatal. No último ano, a mortalidade chegou a 30%, superando a média de 15% dos cinco anos anteriores.
Passageiros do navio MV Hondius, que partiu de Ushuaia (cidade conhecida como “fim do mundo”) rumo à Antártida, testaram positivo para o vírus Andes. A Argentina enviou material genético e equipamentos de teste para Espanha, Senegal, África do Sul, Holanda e Reino Unido, visando auxiliar na detecção precoce da doença.
Autoridades tentam rastrear os itinerários dos infectados antes do embarque, na tentativa de identificar a origem da contaminação. A OMS confirmou cinco casos a bordo, três deles fatais: um homem holandês de 70 anos (11 de abril), sua esposa de 69 anos (26 de abril) e uma mulher alemã (2 de maio). O vírus pode incubar de uma a oito semanas, o que dificulta determinar se a infecção ocorreu antes, durante ou após a viagem.
A principal hipótese é que o casal holandês tenha contraído o vírus durante uma atividade de observação de aves em Ushuaia, segundo investigadores ouvidos sob anonimato. As autoridades também investigam possíveis exposições na Patagônia, região com maior concentração de casos. “Os turistas podem confundir os sintomas iniciais com uma gripe — febre e calafrios — e não buscar ajuda médica a tempo”, alertou Raúl González Ittig, professor de genética da Universidade Nacional de Córdoba.
As mudanças climáticas estão entre os principais fatores que impulsionam a disseminação do hantavírus. Seca extrema e chuvas intensas criam condições favoráveis para a proliferação de roedores. Enquanto antes os casos eram raros no norte do país, hoje 83% das infecções ocorrem nessa região, inclusive em províncias populosas como Buenos Aires.
A falta de estrutura em hospitais rurais agrava a situação. Daisy Morinigo e David Delgado só perceberam a gravidade quando o filho de 14 anos, Rodrigo, teve a respiração comprometida. Após ser internado em UTI em 1º de janeiro, ele morreu duas horas depois do diagnóstico positivo para hantavírus — inicialmente, os médicos descartaram a doença e o enviaram para casa com recomendação de repouso.
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