A Faixa de Gaza tornou-se uma terra quase esquecida e arrasada, onde ao menos 80% dos prédios foram reduzidos a escombros. Pilhas de entulho ainda dominam o horizonte, enquanto milhares de palestinos vivem em tendas precárias, expostos a doenças, fome e ratos. A promessa de paz feita por Donald Trump em outubro do ano passado, anunciada durante uma conferência no Egito com líderes de Egito, Catar e Turquia, não passou de um discurso vazio. “Juntos conseguimos o que todos diziam ser impossível; finalmente temos paz no Oriente Médio”, declarou o então presidente dos Estados Unidos. Na prática, o acordo de cessar-fogo não trouxe a reconstrução, a estabilidade ou a tão almejada autodeterminação palestina.
O plano de 20 pontos de Trump não foi implementado por um motivo político: os EUA optaram por não usar sua influência para levá-lo adiante. Segundo Zaha Hassan, especialista do Programa Oriente Médio do Carnegie Endowment for International Peace (CEIP), não existe um substituto para os Estados Unidos como mediador de paz com força suficiente sobre Israel. O projeto da Casa Branca previa o desarmamento completo do Hamas, a criação de um governo tecnocrata em Gaza e a supervisão de um Comitê de Paz liderado por Trump. No entanto, as partes jamais concordaram com a Fase 2, que inclui desmilitarização, transferência de governo e reconstrução em larga escala. “Esta foi essencialmente adiada”, afirmou Hassan. “Se isso for verdade, significa um retorno ao conflito violento e o fim do cessar-fogo.”
A situação em Gaza é desesperadora. Alon Ben-Meir, professor de relações internacionais da Universidade de Nova York, avalia que o plano de Trump entrou em colapso por suas próprias contradições. “Ele tentou impor uma nova ordem sem consentimento palestino; adiou todos os temas centrais — soberania, governança e desmilitarização — a um futuro vago”, disse. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, rejeita qualquer processo que leve à criação de um Estado palestino viável, consolidando o controle sobre territórios e fronteiras. “Nenhum cessar-fogo pode se transformar em paz quando um dos lados insiste na dominação permanente em vez da coexistência negociada”, advertiu Ben-Meir.
A realidade no terreno confirma o fracasso do acordo. Ajith Sunghay, chefe do Escritório de Direitos Humanos da ONU nos Territórios Palestinos Ocupados, alertou que a guerra não acabou. “O que ocorreu foi o anúncio de um cessar-fogo”, explicou. “Mesmo em meio a esse cessar-fogo, 850 palestinos foram atingidos e assassinados pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) dentro de Gaza.” Sunghay destacou ainda os entraves burocráticos para a distribuição de ajuda humanitária. “Para nos movermos dentro de Gaza e fornecer ajuda, precisamos de veículos, peças de reposição e autorização para acesso. Tudo isso é muito difícil de obter porque Israel impõe diferentes demandas”, lamentou.
A população sente na pele a ausência de perspectivas. Shireen Al-Kurdi, moradora de uma barraca no campo de refugiados Al-Bureij, descreveu a vida no território como “extremamente difícil”. “As operações militares israelenses continuam avançando em algumas áreas. Todos os dias há mortos e feridos nos bombardeios, e sofremos com a escassez de comida, água, eletricidade e medicamentos”, contou. Para ela, a guerra não terminou: “O sofrimento e a insegurança continuam diariamente”.
Enquanto isso, a comunidade internacional assiste à lenta destruição de Gaza. A promessa de reconstrução não saiu do papel, e a ajuda humanitária enfrenta barreiras intermináveis. A paz, que já foi anunciada como uma realidade, segue distante para os palestinos, que lutam não apenas pela sobrevivência, mas pela esperança de um futuro digno.
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