Mais de 11 anos após sua prisão, Tiago Henrique Gomes da Rocha, conhecido como o serial killer de Goiânia, continua a assombrar a sociedade. Condenado a quase 700 anos de prisão por mais de 30 assassinatos, ele cumpre pena há mais de 4 mil dias, mas poderá ser libertado em 2044, quando completar 30 anos de prisão — o limite máximo estabelecido pela legislação brasileira antes das mudanças do Pacote Anticrime em 2019.
Atualmente, Tiago cumpre uma pena unificada de 668 anos, 8 meses e 9 dias em 34 processos, incluindo uma condenação recente por tentativa de homicídio contra duas mulheres, julgada em outubro de 2023. Todos os processos estão arquivados, e a defesa não se manifestou até a conclusão desta reportagem.
Preso no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, ele vive em cela isolada. O procurador de Justiça Maurício Gonçalves de Camargos, que atuou em 17 processos contra o assassino, afirmou que, mesmo após 30 anos, Tiago não deve ser libertado.
“O tempo de prisão decorre de um preceito legal. Está previsto que a pessoa não pode ficar presa mais de 30 anos. Agora, numa situação como essa, nenhum juiz vai conceder a ele o alvará sem antes submetê-lo a um exame criminológico. Na minha concepção, ele não passa no exame criminológico porque a psicopatia não é curável”, declarou.
Tiago não pode ser encaminhado para clínica de tratamento, pois não é considerado inimputável. “Ele era plenamente capaz. As características principais de um psicopata são a falta de empatia e o não arrependimento”, explicou o procurador.
Durante os julgamentos, Tiago demonstrava frieza e inteligência, buscando notoriedade quando conveniente. “Ele fazia questão de guardar jornais da época que falavam sobre os homicídios. Às vezes falava, outras vezes se calava e reclinava a cabeça sobre a mesa”, recordou Maurício.
Os crimes não tinham motivação aparente, o que tornava as investigações ainda mais difíceis. “A razão estava no íntimo do Tiago. Ele saía de casa armado e dizia ‘hoje eu vou matar alguém’. Escolhia vítimas aleatoriamente, o que trazia sofrimento extra às famílias”, afirmou.
Um caso, em especial, marcou o procurador: o assassinato de uma jovem que se mudou de interior para Goiânia. Tiago perseguiu o carro dela em semáforos até encontrar a oportunidade para um único disparo, característica comum em seus crimes.
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