Candidato à Presidência promete endurecer penas, confisco de bens de agressores e “tolerância zero” contra o crime, apostando em discurso de linha dura para conquistar eleitorado de direita
Goianésia, GO – O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, intensifica sua campanha com propostas polêmicas para transformar a segurança pública brasileira, inspirado no modelo aplicado em seu estado. Em discurso recente, o candidato defendeu a nacionalização de uma política de “tolerância zero”, com endurecimento de penas, confisco de bens de agressores e até a tipificação de facções criminosas como organizações terroristas, seguindo decisão dos Estados Unidos.
A estratégia de Caiado busca se diferenciar de Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no debate eleitoral, apostando em um discurso de linha dura contra o crime para ampliar sua base de apoio, especialmente entre eleitores de direita. Especialistas ouvidos pelo Elienai News avaliam que as propostas têm potencial para mobilizar o público bolsonarista, mas enfrentam questionamentos sobre constitucionalidade e eficácia.
Endurecimento penal e confisco de bens
Uma das principais promessas de Caiado é o confisco dos bens de criminosos condenados por feminicídio, agressão ou violência contra mulheres, com transferência direta dos recursos às vítimas. O candidato também defende que condenados por esses crimes cumpram pelo menos 90% da pena, sem direito a reduções, além de proibir visitas íntimas a presos de facções e aumentar o isolamento de lideranças no sistema prisional.
Para o cientista político Pedro Pietrafesa, a proposta é um aceno ao eleitorado feminino, tradicionalmente menos receptivo a candidatos de direita. “Essas propostas buscam conquistar votos, mas muitas são inconstitucionais. A campanha tenta mostrar que Caiado, diferentemente de Flávio Bolsonaro, teria condições de implementá-las”, analisa.
Facções criminosas como “organizações terroristas”
Caiado mantém a defesa de classificar facções como PCC e Comando Vermelho (CV) como terroristas, seguindo decisão dos EUA em 2025. A proposta, rejeitada pela Câmara e Senado em fevereiro, reforça seu discurso de combate radical ao crime, alinhado ao modelo goiano de segurança pública.
Polêmicas e críticas
O ex-governador também reafirmou sua posição contra câmeras corporais em uniformes policiais, contrariando determinação do STF que tornou obrigatório o equipamento em estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, propôs suspender benefícios de programas sociais a condenados por invasão de propriedade, medida apresentada durante a CPI do MST em 2023.
Para o professor Guilherme Carvalho (UFG), o discurso de Caiado tem potencial, mas depende da capacidade de comunicação. “Ele tenta capturar o eleitorado bolsonarista, mas precisa ir além do discurso. O Renan Santos (Missão) já faz isso com mais competência”, avalia.
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