Um grupo de 55 trabalhadores, sendo 46 homens e 9 mulheres, foi resgatado em situação de trabalho escravo em uma fazenda no município de Cezarina, no sul de Goiás. Os operários, aliciados em Bahia e Minas Gerais com promessas de salários de até R$ 10 mil, atuavam na extração de palha de milho para a produção de cigarros.
Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), as condições eram degradantes: não havia locais adequados para refeições, falta de água potável e salários atrasados. Os trabalhadores atuaram efetivamente por apenas 10 dias em 50 dias, recebendo apenas o salário-mínimo nos demais períodos, o que gerou dívidas e insatisfação.
“Eles ficaram parados por quase um mês e, depois, quando começaram as atividades na extração da palha do milho, trabalhavam dois, três dias e o serviço parava. Isso gerou uma insatisfação enorme porque estavam recebendo pouco e sequer recebiam pelos dias parados”, relatou o auditor-fiscal Roberto Mendes.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) custeou as passagens de volta para os trabalhadores, que retornaram aos seus estados de origem. Cada vítima terá direito a três parcelas do seguro-desemprego (R$ 1.621 cada), além de uma ação civil pública do MPT para garantir o pagamento de verbas devidas e indenizações por danos morais.
O empregador será autuado por infrações trabalhistas e submissão a condições análogas à escravidão, podendo ser incluído na “Lista Suja” do MTE. O processo está em andamento, garantindo direito à defesa.
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